2007-01-19

30 segundos depois de almoço...

Sal e o teu mar

as letras saem assim em folhas rasuradas
lâminas que riem
(o silêncio aqui)
lágrimas cor de terra
palavras que tremem
Tremo
choro nos teus pés
a cheirar a sol
(volto)
levanto a cara para a terra
(respiração)

Morri.
Não existo em nada.

2007-01-11

Leituras

A morte para vocês é um drama cristão numa cama, no ataque do coração... A morte para nós é o presunto diário, desovado numa vala... Vocês intelectuais não falavam em luta de classes, em "seja marginal, seja herói"? Pois é: chegamos, somos nós! Vocês nunca esperavam esses guerreiros do pó, né? Eu sou inteligente. Eu leio, li 3.000 livros e leio Dante... Mas meus soldados todos são estranhas anomalias do desenvolvimento torto desse país. Não há mais proletários, ou infelizes ou explorados. Há uma terceira coisa crescendo aí fora, cultivado na lama, se educando no absoluto analfabetismo, se diplomando nas cadeias, como um monstro Alien escondido nas brechas da cidade. Já surgiu uma nova linguagem. Vocês não ouvem as gravações feitas "com autorização da Justiça"? Pois é. É outra língua. Estamos diante de uma espécie de pós-miséria. Isso. A pós-miséria gera uma nova cultura assassina, ajudada pela tecnologia, satélites, celulares, Internet, armas modernas. É a merda com chips, com megabytes. Meus comandados são uma mutação da espécie social, são fungos de um grande erro sujo.

Nós somos uma empresa moderna, rica. Se funcionário vacila, é despedido e jogado no "microondas". Vocês são o Estado quebrado, dominado por incompetentes. Nós temos métodos ágeis de gestão. Vocês são lentos e burocráticos. Nós lutamos em terreno próprio. Vocês, em terra estranha. Nós não tememos a morte. Vocês morrem de medo. Nós somos bem armados. Vocês vão de três-oitão. Nós estamos no ataque. Vocês, na defesa. Vocês têm mania de humanismo. Nós somos cruéis, sem piedade. Vocês nos transformam em superstars do crime. Nós fazemos vocês de palhaços. Nós somos ajudados pela população das favelas, por medo ou por amor. Vocês são odiados. Vocês são regionais, provincianos. Nossas armas e produto vêm de fora, somos globais. Nós não esquecemos de vocês, são nossos fregueses. Vocês nos esquecem assim que passa o surto de violência.


Entrevista ficcional criada por Arnaldo Jabor a Marcola, líder do PCC (Primeiro Comando da Capital)

Por vezes faço coisas estúpidas, idiotas mesmo

E nem percebo bem porque as faço. O eventual beneficio não justifica minimamente os riscos que corro. São impulsos, nada de consciente. Será talvez para me agarrar a mim.

Transmission



   Joy Division

2007-01-09

como posso sustentar o chão, se apodreço a cada dia que passa?



tenho que comer mais vegetais

2007-01-07

tenho demasiado mil palavras a coalhar-me o espírito para conseguir falar

2007-01-06

Come on home




   Everything But The Girl

2007-01-03

A terra abre-se

faz-se espada
rasga a carne



vem

às vezes pergunto-me

como seria ler-me não sendo eu. gostaria? por vezes sim, no resto não. grandes tretas. nada é absoluto, portanto qual é a novidade? que nada e absoluto não existem. bom, já estou a avariar... stop

2006-12-29

Linda



Mojave 3

But you're beautiful like the stars at night,
twist and turn before the dawn.
Beautiful like the moon at night,
ducks and dives into the sea.

Aqui sentado



de pé
...
para morrer

2006-12-22

Engarrafamentos na ponte 25 de abril

segundo uma pequena notícia dum jornal o trânsito não esteve famoso ontem. alguém se pendurou na ponte com um papelão na mão. dizia "sem amor, sem abrigo"

a polícia diz que o indivíduo é reincidente. que porra, sem-abrigos reincidentes. e o trânsito? que porra. e logo em vésperas de natal com as pessoas cheias de pressa para irem comprar as prendas.

Hoje vou criar um novo dia


hoje não vai ser sexta-feira. dia em que me levanto e vou para o trabalho como todas as sextas-feiras. como todas as terças, como todas as...

hoje vou fazer um dia fantástico. hoje vai ser diferente. porque quero.

Prenda

segundo parece em cada dia este areal é visitado por setenta pessoas. metade entram e saem, só deixam vento. estão de passagem das minhas tormentas. outros são os que têm um lugar sempre quente aqui no cantinho. já lá tenho um pufo e tudo. só é pena isto não dar para beber um copo à lareira.

mas voltando ao tema do post. não sei bem se é prenda se é desafio. desenhar um grito por palavras. sei que não é fácil. sei que não é possível

mas os comentários estão aqui. gostava dessa prenda. vá lá deixem-me um grito

2006-12-18

E senti algo que julguei não poder sentir



um silêncio enorme na sombra do corpo

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