Um dia
faço um blog com os pedaços de papel que tenho nos bolsos com coisas que não posso pôr aqui. seria o escrito-nos-bolsos
este vale o que vale uma coisa escrita na areia entre duas ondas. aquele valeria o que vale o fundo do bolso das calças
vocês sabem que vão morrer
pego no copo à minha frente
e penso:
menos 3 dias de vida segundo a visão
alguém me ajuda
ou antes me socorre
um jornal ou revista português que valha a pena
I am in love with a dead boy
eu já me morri há muito
porra matem-me
mas matem-me de uma vez
morrer devagar ao longo da vida
é cruel
um único pedido
quero morrer de branco
virgem.
sabem que a maior parte dos blogosfericos
são punheteiros?
Vivem de bater punhetas.
Eu blog me confesso
de calos nas mãos.
sede
há quem inveje quem não sofre
mas esses nunca se hão-de queimar nas asas do desejo
até os pobres de espirito se cansam de feijão com arroz
porra
assim que saí do restaurante apanhei com uma gota na tola
grossa e quente
desejei ser chuva num dia de verão
Loneliness is a gun

House of Love - Loneliness is a gun
So I memorize the diamond in your eyes
it shone so sweetly
it cut through any lie
I'm touching gold
I'm colder still, I'm colder still
So I memorize the diamond in your eyes
Oh, loneliness is a gun
Loneliness is a gun
The loudest silence in your day
dying to meet you
Para ser justo
Os que são apanhados a roubar o estado em milhões de euros por vias fraudalentas, devolvem o que roubaram e vão em paz.
Lembram-se por exemplo do caso das facturas falsas que envolvia grandes empresas? Quando a noticia saiu nos jornais, pagaram os impostos e pronto, nem acusados foram.
Volta e meia ouve-se casos desses, fulano de tal apanhado a fugir ao fisco, paga e fica tudo bem.
Acho que quem fosse apanhado com uma TV roubada às costas, devia poder devolver o televisor e ir em paz.
alguém sabe o mercado que está a dar?
Sempre me fez confusão o facto das rádios darem todas as manhãs hora a hora as noticias da bolsa.
A rádio é um meio de informação generalista. Saber a cotação do dólar de Hong-Kong é importante, mas só para alguns castiços, e obviamente nunca ouvi a seguir às noticias do trânsito comentarem a evolução do dirham marroquino.
Mas as noticias da bolsa nunca falham. Olho à minha volta e imagino o pessoal todo a apressar-se a chegar ao escritório para dar ordens de compra e venda.
Mais coisas que estranho...
De vez em quando passam uns filmes na televisão com os gajos da resistência francesa. Uns heróis. Os gajos que perante a invasão do seu país por tropas estrangeiras, se revoltam com risco da própria vida. Nunca vi chamarem-lhes terroristas ou numa versão mais soft, insurgentes. Palavra inventada pelos americanos e que todos os media muito obdientemente copiaram.
Sempre pensei que em tempo de guerra só fosse "crime" matar civis. E que revoltar-se contra tropas estrangeiras que nos invadem fosse pelo menos "compreensivel".
Em 2002 numa batalha no Afeganistão em que o seu pai morreu e o irmão mais novo ficou paralizado, Omar Khadr é acusado pelos EUA de ter lançado uma granada que matou um soldado americano.
Omar Khadr tinha 15 anos. Está desde então preso em Guantanamo indefenidamente. Deve ter agora 19 anos.
Pergunta: se um moço de 15 anos está lixado por ter morto um soldado que invadiu o seu país, o que aconteceu ao soldado que matou o pai dele?
O segredo? Estar do lado dos bons, leia-se poderosos.
Contas
Ao contrário de outras guerras anteriores, os EUA não dão informações sobre os ataques aéreos que fazem. Tudo o que sabemos são pedaços que se escapam pelas frestas. Sabe-se (Courier International) que no pico da batalha pela reconquista de Fallujah os EUA lançaram 500.000 toneladas de bombas sobre a cidade.
Antes da guerra começar Fallujah tinha 500.000 habitantes, agora terá 250 a 300 mil
Os EUA passam a vida a falar das bombas de "precisão" que matam os "insurgentes" e minimizam os mortos civis.
Sou só eu que acha isso inconsistente com o facto de se lançar num curto espaço de tempo 1 a 2 toneladas de bombas por cada habitante?
Hipotenusa
Um grupo armado de portugueses rapta um soldado espanhol. Espanha em retaliação invade Portugal e prende os ministros portugueses.
Um ministro português em viagem a Madrid é mandado parar na fronteira para ser revistado e despido.
Espanha, não contente com o resultado das eleições em Portugal desvia em conivência com a banca e instituições financeiras, práticamente todas as receitas do governo português.
Na Palestina não é hipótese, é realidade.
aconteceu

fez-se um chão enorme no silêncio do corpo
um chão fundo de flores e campas
seco
pequenos espaços em ruínas
e de repente...
um sorriso
nos lábios nasce uma palavra fresca
a pureza no dia em que se morre.
Conta-me as palavras que me dizias
antes de nos conhecermos
conta-me o que dizias
quando as palavras eram mudas
encosta a cabeça na minha mão
e conta-me.




