Às vezes
não percebo o que se passa na porra da minha cabeça
deve ser o TGV a vapor.
Foi já enviada para o Tribunal Constitucional a nova pergunta para o referendo:
Qual a sua opinião sobre o aborto?
a) Tem sido um bom primeiro-ministro
b) Tem sido um primeiro-ministro ineficaz
c) Nem sequer tem sido primeiro-ministro
Sei que sou maluco por rabos. Confesso. Não há que ter vergonha, gosto de rabos. Mas os olhos fascinam-me. Morria mais depressa à margem de dois olhos do que à borda de um rabo :-)
Sonhei que as noites eram claras e me envolviam em braços de ternura.
E depois senti raiva.
Será a solidariedade proletária? Assim não.
Passem-me o Índice Nacional Terapêutico.
reouvido agora mesmo na rádio. porque que é que a vida é mais suave dentro das canções?
badabadaba
Perry Blake - Ordinary day
Já que tenho a letra ali em cima, achei por bem pôr a música também...
O manequim da rua dos fanqueiros foi eleito com 50,59% dos votos. Foi???
A percentagem é calculada com base nos votantes em candidados. Para além dos nulos e abstenção, excluem os votos em branco!!! Se houver um candidato que vote em si mesmo, e o resto da população não votar porque o acha um banana, esse candidato é eleito com 100% dos votos, i.e. um voto.
Ou seja os votos são considerados, desde que digam sim, gosto deste sistema, destes candidatos. Se o voto for para dizer não, é ignorado. Pode-se ter "voz" desde que seja a "correcta". O tal manequim, considerando todos os votantes nem foi eleito, teve 49,66%. E dos inscritos teve 31,09%. Retumbante, de facto.
Nota lateral: Sóares de frase feita para encher o ouvido: Vencido é quem desiste de lutar. Então, quem é levado ao colo por um partido, e depois tem menos de um terço dos votos desse mesmo partido, conseguindo ainda pelo caminho virar as costas a um companheiro de décadas, é o quê?
PS. Juro que tentei não falar nesta treta, a que, sinceramente, não liguei quase nada, mas não consegui...
Já repararam na importãncia da cintura?
Estava eu a almoçar quando de repente reparei, num grupo que se afastava. A roupa divide-se pela cintura. Uma peça de roupa para baixo da cintura e outra para cima da cintura. Que mania, hein? A divisão tem que ser metade para cada lado? Porque carga de água? E se hoje me apetecer 30 por cento por cima e 70 para baixo? Estou farto desta ditadura do pro.. da cintura.
Será para permitir o jogo de anca? Será para mostrar os umbigos sexy? Sinceramente não sei. Se calhar a culpa é de algum imperador romano ou de um austrolopitecos mais calhau.
E no entanto é uma linha semi-convencionada, imaginada. Onde é a cintura? Um pouco mais abaixo, um pouco mais acima... na realidade nem existe. É algures naquela área entre o umbigo e os intrumentos procriadores.
Uma coisa eu sei, amanhã vou escolher um polo bué da comprido que me dê pelos joelhos e calço umas meias de gola alta! Se tiver frio nos joelhos, faço de conta que é o umbigo.
Não abdico de um momento de prazer genuíno, daqueles que eu digo: "Pá, estes momentos não se repetem!" É verdade. Quando se tenta repetir a festa, um momento ideal, um momento favorito, não se consegue. Pode-se ter a mesma mesa, os mesmo candelabros, a mesma música, a mesma pessoa, mas não se repete. Porque há momentos mágicos. E o que eu tenho procurado na vida são esses momentos mágicos.
http://web.amnesty.org/library/Index/ENGAMR512072005?open&of=ENG-USA (em inglês)
http://web.amnesty.org/library/index/eslAMR512072005?open&of=esl-usa (em espanhol)
Há milhares e milhares e milhares de casos assim. E que nos interessa?
Se fosse eu, se fosse a minha filha, a minha mãe, um grande amigo, andaria desesperado. Assim é uma noticia de jornal. Nada mais.
Quando eu tiver um mano, vai-se chamar Herrare porque Herrare é o mano.
Eu vou gostar muito do meu mano.
Fim.
O desejo é o sentimento por excelência. Sem ele todos os outros não passam de alforrecas moles. Desejo é acção.
Amor é mesmo amor sem desejo? Quantas guerras se fazem por desejos insensatos?
O sono é a coisa mais próxima da sensação de estar morto que alguma vez iremos conhecer. Espanta-me então a pacatez com que aceitamos esta morte em doses diárias.
Mas não se pode fugir dela? Talvez não, e assim lá estive eu, na obscuridade, quase até às 5, à espera da vinda da minha dose certa.
Eu tinha 9 anos de idade quando fui com a minha mãe visitar o meu tio que tinha sido preso envolvido no chamado assalto ao Quartel de Beja.
Era militar. O Capitão Pestana tinha sido preso. Não tinha sido propriamente espancado mas tinha sido sujeito durante 8 dias à tortura do sono.
Fui visitá-lo ao Aljube que era para quem não conhece uma prisão das mais odiosas, das mais deprimentes, das mais pesadas. Onde havia as celas chamadas curros. Onde as pessoas não cabiam de pé. Não tinham iluminação. Passavam o dia inteiro entre o agachado e o deitado. E onde aguardavam ser transportados para a António Maria Cardoso para serem torturados lá.
E o meu tio teve 8 dias de tortura do sono. E finalmente houve licença para a visita. E a visita era uma fiada de grades. Nós. Outra fiada de grades. O individuo no meio. Outra fiada de grades. O preso. Outra fiada de grades.
E quando o meu tio apareceu ele estava de tal maneira desfigurado que não o reconheci. E depois finalmente percebi que era o meu tio Chico. E começaram a vir as lágrimas aos olhos e comecei a choramingar.
E a minha mãe agarrou-me num braço apontou-me um PIDE e disse:
«Em frente de gente desta não se chora»
Eu, frente de gente desta nunca mais chorei na minha vida nem nunca mais chorarei.
para além de ser para encher
serve para dizer que o post anterior saiu-me assim de um jorro ontem à noite. Escrever sem parar, não sei quanto tempo passou, cinco ou dez minutos. Ao contrário do que costumo fazer praticamente não alterei nada. Três ou quatro palavras se tanto. Aqui fica assim. E não é meu costume escrever coisas longas.... tipo duracell
saber que a morte
morre e vem
como sementes de ébano
soltas no chão
há qualquer coisa que morre
e morre e morre
depois permanece
para nos ver partir
partir e não voltar
qualquer coisa
que se arrasta devagar
são os momentos que vejo para além dos olhos fechados
dos dedos que batem nestas teclas imprecisas que nem olho
para ver morrer para ver partir
são teclas que são folhas são ébano, semente de algo
que passa entre estes dedos
que batem nestas teclas imprecisas
sem ver sequer os olhos fechados que vêm morrer e partir
não sei que dizer destes momentos
em que os dedos percorrem estas teclas longe da luz do café onde não há música
dos dias que não nascem
não sei porque batem os dedos nestas teclas imprecisas
para não partir, para não morrer e morrer e morrer
há nisto tudo qualquer coisa que me olha
que não percebo porque já tudo partiu
os contabilistas da rua dos fanqueiros
meteram-se num metro à noitinha
nunca mais os vi
talvez no dia seguinte tenham regressado daquele mundo escuro
para onde entraram pelo metro naquela noite suja
nunca mais vi a criadinha de saia e avental
que imagino com flores na cabeça
e uma luz que não pára de nascer
não sei que fazer destas teclas imprecisas
que não param de bater entre contabilistas e criadinhas de avental
que é feito da luz que não parava de nascer?
para onde vai o metro ao fim dos dias escuros?
para onde vão os dedos nestas teclas inseguras?
para onde vai a morte que morre e morre e morre e nunca volta
mas permanece devagar dentro de mim
na imagem que tenho da criadinha de avental e do metro cheio de escuridão e de noites
que gritam vai vai
vai senta-te ao sol ao mar
vai para onde o metro não engole contabilistas como relógios enferrujados
e as criadinhas não precisam de luz a jorrar da cabeça para colher flores
vai e senta-te ao sol
repousa os dedos inseguros que tapam os olhos ocos de luz de criadinhas e contabilistas
para onde te leva essa luz que não cessa de nascer
para os metros que morrem e nunca voltam
permanecem solenemente nas vértebras que seguram dedos inquietos
de que te serve ir morrer nascer jorrar luz, ver criadinhas, engolir contabilistas?
é certo que seria delicioso morder com luxuria a nudez de quem se perde no metro numa noite escura
inundar de café e musica os lírios cortados da criadinha
é certo que seria delicioso abraçar o ir o vir o nascer o morrer e o morrer
afundar-me no escuro metro com uma criadinha a jorrar lírios cortados de café e música
trocar os dedos por línguas sedentas de bocas
morrer e voltar num dia claro
depois olhar para mim
e ver uma sombra de sol
cheio de coisas simples
aquelas que fazem as crianças rir
olhar para mim
e ver-me em repouso
as teclas inquietas
velhas
a um canto
não olham para mim
nem sei que existem
olhar para mim
e não reconhecer a criadinha e o fundo do metro
ver o sol
mesmo sabendo que tudo isto não passa de movimentos dos dedos irrequietos
que batem nas teclas inseguras
mas entre as teclas
ver o sol
onde um dia hei-de repousar
sereno
sem luz a meu lado
é para relembrar uma coisa linda do José Gomes Ferreira que me assaltou a cabeça durante o almoço
Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama
é para ter a certeza que nenhum blogueiro me vai alguma vez visitar.
Os blogs vivem em grande parte num circulo fechado de auto consumo. Tu visitas um blog, que por sua vez te vai visitar. Eu esfrego-te as costas e tu esfregas as minhas. Estou convencido (sem base estatística que não seja a observação) que a esmagadora maioria dos visitantes dos blogs são donos de outros blogs.
De modo, que se alguém cair aqui, e eventualmente comentar na esperança que eu vá visitar como moeda de troca, tirem os cavalinhos da chuva. Não gastem as teclas. Visito os blogs que acho que valem a pena visitar. O resto, sinceramente quero lá saber.
Agora que já conquistei a inimizade de parte da comunidade blogueira, posso continuar em paz :-)
é para dizer que nunca criei um blog porque para tal é preciso paciência e persistência. Não tenho nem uma coisa nem outra em quantidade suficiente.
Ninguém visita um blog que não é actualizado regularmente. De modo que não espero visitas, escrevo para me ouvir e eventualmente me recordar.
é somente para explicar o porquê do nome. Escrito na areia era uma crónica do Augusto Abelaira no Jornal, salvo erro. É simples, dura o tempo que dura o intervalo entre as ondas ou as marés. Efémero.